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Rua Visconde de Inhauma, 56, Porto Alegre/RS

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By a Lady

08/03/2021
Nós mulheres estamos vivenciando uma experiência nova de podermos expor nossas ideias, nossos dons e de usar todo o nosso potencial. Sabemos que talento não escolhe gênero, mas até meados do século passado algumas funções prazerosas, como escrever, eram reservadas para os homens. Que bom que nos livramos dessas amarras.
Houve um tempo no qual a mulher era mal vista por ser ativa intelectualmente; aos olhos da sociedade, estariam se desviando do papel reservado a elas. A erudição poderia ser buscada, sobretudo por aquelas que pretendiam fazer bons casamentos. Obviamente, só da porta para dentro.
Muitas não desistiram e marcaram o cenário literário mundial, mas quantas deveriam ter muito a dizer e não disseram? Quanta riqueza perdemos e quantas mulheres se esconderam atrás de pseudônimos para não se expor publicamente. Quantas como Jane Austen firmaram seus livros apenas com um “by a lady”, por não poder assinar suas obras?
O pseudônimo era a única chance de entrarem no mercado literário. Não se tratava apenas de auto proteção, mas também de questões de mercado. Um livro escrito por uma mulher não venderia tão bem, nem despertaria o mesmo interesse de um livro escrito por um homem. Presumia-se que o conteúdo era raso, era visto como excessivamente romântico, mesmo antes de ser lido. A luta foi longa e hoje há movimento mundial para a reimpressão das capas das obras, para dar crédito às verdadeiras autoras, mas muitas autorias se perderam no tempo. Jamais se fará justiça completa nessa seara.
Hoje as mulheres tem acesso à educação como nunca tiveram. Sentenciamos, indiciamos, fundamentados atos e até pregamos em igrejas. Colamos os nossos entendimentos no mundo.
Mas quantas mulheres há hoje na academia brasileira de letras? Durante 80 anos nenhuma mulher fez parte. Só em 1977 Rachel de Queiroz foi aceita, tornando-se reconhecidamente “imortal”
E grata a essa luta hoje lerei “A casa dos espíritos”; e para o meu filho de cinco anos, Harry Potter.
P.S. Escrito por uma mulher.