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Mãe - autora: Psicóloga Rosângela Martins

16/05/2014
  Mãe   Quem é ela?   A mãe é para a maioria, a mãe idealizada. A mãe que todo filho sonhou e desejou. A mãe presente, acolhedora, tolerante e com um amor incondicional. A mãe da propaganda de TV.   A origem deste sentimento está no início da vida, quando o recém-nascido em seu estado de impotência e de extrema dependência, indiferenciado inicialmente de seu cuidador, que nas muitas vezes é a mãe, dá a ela o reconhecimento do poder, de dar e manter a vida. Um sentimento extremamente profundo e de imensa importância, que permanece no inconsciente coletivo. O ser humano fica muito tempo dependente até adquirir condições para se prover. Por tanto, é inegável o poder de uma mãe. Enquanto cumpre as etapas do desenvolvimento, a criança tem uma grande influencia de seu cuidador, que na maioria das vezes é a mãe mais diretamente. Esta mãe que todo filho sonha, que muitas se cobram ser e que muitos cobram que seja. Não existe!   Mas mesmo assim, o desejo de uma mãe idealizada persiste. Sonha-se com ela e cobra-se que ela seja perfeita. Esta mãe é na verdade uma pessoa que tem seus erros e acertos. Às vezes mais erros que acertos e às vezes mais acertos que erros. Não existe um manual. Existem são pessoas. Mãe e filho, cada um com suas características, e uma relação. Uma relação que se constrói. Diferente do que se pensa e deseja crer, uma mãe não se faz boa por natureza, ou seja, só por que é mãe. Este ideal de mãe tão apregoado traz muitos problemas. Desvia as capacidades. Muitas vezes, a mãe pode se preocupar muito mais em atender a este ideal. Quando consegue, erra, e se não consegue, se condena e erra também. Quando consegue, faz o papel de uma caricatura de mãe, distante de si e consequentemente distante do filho. Desta forma, tende a se atrapalhar quanto aos limites dentro desta relação. Querendo acertar este lugar de boa mãe, muitas gratificam em demasia. Fragilizam seus filhos, pensando que ser uma boa mãe é não gerar tristeza nem frustração a ele. Estando assim, muito mais preocupada com um ideal, do que em poder entender o que se passa entre eles. Muitas vezes, quando não conseguem atender, tanto quanto se cobram, e não conseguem por que não é possível, se culpam. Se culpando, se atrapalham. A intimidade desta relação sugere maior afeto positivo, mas não necessariamente que seja assim.    A mãe traz sua historia de vida, seus conflitos mais ou menos resolvidos e dependendo da sua condição emocional, tende a transferir suas dificuldades afetivas as suas relações e principalmente aos mais íntimos, como o filho. O filho durante seu crescimento tem a difícil tarefa de ir desconstruindo este ideal. Os que amadurecem de uma forma mais saudável, irão se confrontando com a realidade e entendendo paulatinamente que a mãe é uma mulher que despenhou e desempenha um papel importante em sua vida, mas que esta condição, não a faz diferente das outras pessoas frente aos desafios da vida. A mãe durante o desenvolvimento do seu filho precisará também entender que foi, e é importante para ele, mas que o mundo e as necessidades de uma criança são maiores ao que ela pode ofertar, precisando reconhecer esta realidade e ajuda-lo para uma satisfatória trajetória, do estado de dependência para o de independência.   A “boa mãe” pode ser a mãe que esteja mais em paz consigo mesma. Que se perceba mais a si e se sinta identificada. Reconheça o bastante suas potencialidades e fragilidades, a fim de poder estar mais inteira frente a suas escolhas e ao outro. Assim, poderá contribuir de uma forma saudável ao desenvolvimento do filho. Esta mãe conseguirá ver melhor a si e ao filho, o suficiente para identifica-lo e assim respeita-lo, como respeita a si. Tenderá a perceber as formas necessárias de proteção e amparo ao filho, durante seu desenvolvimento. Não acertará todas, errará muitas vezes, mas estará propensa a olhar, pensar, perceber suas dificuldades e a buscar soluções, tanto quanto possível, para os problemas enfrentados.       Rosângela Martins   Psicóloga CRP 07/05917   Avaliação Psicológica e Atendimento Psicoterapêutico   a Adolescente e Adulto   Consultório: Gen. Andrade Neves, 155/conj. 63. Fone: (051) 32251171 http://www.rosangelapsicologa.com.br/