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26/07/2017

Lideranças buscam um novo nome para apoiar a segurança pública de Caxias do Sul

 Está próxima a troca da presidência do Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública (Consepro) de Caxias do Sul. Há um consenso que o órgão perdeu sua finalidade, que é a de buscar recursos na iniciativa privada para serem investidos em segurança. O entendimento é que a entidade precisa de um gás novo, com um presidente mais jovem e com tempo para se dedicar. Lideranças da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) reconhecem o trabalho realizado pelo atual presidente, Humberto Valerio Tomé, e trabalham por uma solução amigável.

Procurado pela reportagem, Tomé afirmou desconhecer a possibilidade de substituição. O empresário ressalta que é um dos fundadores do Consepro e que trabalha em favor da comunidade há 26 anos. Ele ainda aponta que nunca houve interessados em assumir o conselho.

— O meu posto está à disposição. Aceito a troca hoje. Só que ano passado, em assembleia, não apareceu ninguém. Foi algo que só me valorizou até hoje, mas não sou dono de nada — afirma Tomé.

A presidência do Consepro é considerada um cargo de confiança e a escolha é feita pelo Conselho Superior da CIC, que o próprio empresário faz parte. O presidente da CIC, Nelson Sbabbo, afirma que a entidade busca uma solução não traumática e que há uma lista de nomes de candidatos que se ofereceram para liderar o Consepro.

— O presidente Tomé está há muitos anos e prestou um trabalho respeitável. Ele pessoalmente conversou com a gente e disse que está passando por dificuldades. Estamos dialogando por uma forma amigável para fazer esta substituição. Não é algo impositivo. Mas existe a preocupação da entidade em fazer que o Consepro seja mais atuante. É necessária uma mudança — explica.

As negociações por uma substituição iniciaram após o pedido de informações encaminhado ao Consepro pela Comissão Temporária Especial para o Enfrentamento da Violência da Câmara de Vereadores. Os questionamentos não foram bem recebidos por Tomé. A resposta oficial foi curta e não informou o que a entidade estava fazendo "frente à grave epidemia de violência vivida em Caxias do Sul". A Comissão concluiu que o Consepro não está funcionando e procurou a direção da CIC.

— Não respondi nada aos vereadores porque não admito que falem sem saber. Antes de acusar, eles têm que saber se alguém deve. O que eu faço é aquilo que me comprometo. Há 26 anos, as polícias e os bombeiros não tinham nada. Nós, fundadores, aguentamos com o nosso dinheiro e nunca pedimos nada para ninguém. Cuidamos dessas verbas porque na parte política tem muita corrupção — esbraveja Tomé.

O secretário municipal de Segurança Pública, José Franscismo Mallmann, concorda que o Consepro perdeu sua identidade.

— O Consepro foi instituído para buscar recursos para as forças de segurança. Esta é a finalidade. Mas o que eu vejo é uma expectativa pelos repasses do município. Me parece que ficam só no aguardo e se limitam ao Funrebom (Fundo de Reaparelhamento do Corpo de Bombeiros) e repasses da Secretaria Municipal de Segurança.

O CONSEPRO O que é: :: Os Consepros são organizações não governamentais (ONGs) que têm por objetivo colaborar com os órgãos de segurança como a Polícia Civil, a Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros.

:: Os conselhos sobrevivem de recursos doados por empresas e pessoas físicas. Por meio de doações da comunidade, contribuem com pessoal e recursos para a atividade policial.

:: Os conselhos são constituídos por voluntários, representantes de entidades comunitárias e empresariais da localidade. São contratados apenas profissionais para a área administrativa da entidade.

:: Em Caxias do Sul, o Consepro atua de forma simultânea com o Mobilização Comunitária de Combate a Violência (Mocovi) e possui os mesmos integrantes.

:: O Consepro de Caxias do Sul não possui fonte de renda. Já o Mocovi conta com cerca de 50 mantenedores que doam de R$ 50 a R$ 2 mil mensais, dependendo do porte da empresa. Porém, no atual momento de recessão econômica, a colaboração reduziu e quase metade dos apoiadores pararam de doar. Atualmente, o Mocovi recolhe R$ 8 mil mensais. O dinheiro paga uma conta de telefone do Corpo de Bombeiros e a manutenção da entidade, o que inclui o salário de uma funcionária. 

O que faz: O Consepro administra projetos de investimentos com recursos da prefeitura ou do Poder Judiciário nos órgãos de segurança estaduais. Confira os projetos que receberam aportes desde o ano passado:

:: Fundo de Reaparelhamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom): foram investidos R$ 994 mil, proveniente das taxas de prevenção de incêndio recolhidas pela corporação.

:: Policiamento Comunitário: parceria em que a prefeitura paga auxílio-moradia para que PMs morem na comunidade em que atuam. Estão em vigor três convênios no valor de R$ 53,7 mil.

:: Repasse de recursos: apoio da prefeitura para manutenção de estrutura e viaturas. Foram repassados R$ 371 mil para quatro entidades — BM, Susepe, Polícia Civil e Instituto Geral de Perícias.

:: Verbas do Judiciário: A construção de uma unidade básica de saúde na Penitenciária Estadual no Apanhador é um dos projetos contemplados pela a Vara de Execuções Criminais de Caxias do Sul (VEC) no ano passado. O investimento de R$ 170,7 mil passou pelo Consepro.

Fonte: Zero Hora
Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agencia RBS

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