Mais uma vez, a Federasul e os empresários do RS mostram que são contra os servidores públicos do RS e, principalmente, inimigos dos policiais civis. Não deixa de ser curioso, já que, reiteradamente, esses mesmos empresários bravejam por melhoria da segurança pública.
Vale destacar que o RS apresenta os menores índices de criminalidade de sua história. É resultado direto do trabalho dos profissionais da área da segurança pública.
Pois agora, quando o Governo do Estado discute com a sociedade uma proposta, ainda que não a ideal, de reestruturação das carreiras de Estado e de recomposição de parte das perdas dos servidores da segurança, pilares essenciais para desenvolvimento e reconstrução das políticas públicas, mais uma vez, a entidade que representa grandes empresas desse estado se manifesta contrária, alegando que o RS passa por período de calamidade para o qual é necessário o direcionamento de todos os recursos públicos possíveis.
Recentemente, quando o governo quis aumentar as alíquotas de ICMS e reduzir incentivos fiscais para fortalecer a arrecadação e viabilizar um Estado forte, os empresários, liderados pela Federasul, foram contra. Alegaram aumento do custo da cesta básica.
Ao mesmo tempo, esses mesmos empresários, que defendem o Estado mínimo, agora pleiteiam junto aos governos Municipal, Estadual e Federal isenção de tributos, empréstimos a fundo perdido, auxílio para pagamento de funcionários e benefícios fiscais.
Ou seja, o estado deve ser o grande pai para socorrer apenas o empresário que, diga-se de passagem, defende o estado mínimo. Não parece estanho? Ser um estado forte apenas para atender a iniciativa privada quando em crise e não para proporcionar políticas públicas a quem mais precisa e que delas dependem.
Somente nos últimos 5 anos, o RS negou aos servidores públicos R$ 7 bilhões em recuperação de perdas inflacionárias. No mesmo período, o Estado abriu mão da arrecadação de R$ 82 bilhões em incentivos fiscais às empresas.
Será mesmo que as entidades representativas do empresariado estavam pensando na população quando condenaram o aumento de alíquotas? Será que pensam no bem comum quando pleiteam o socorro estatal? Será que estão pensando no interesse público quando são contrários à reestruturação das carreiras e recomposição de parte das perdas dos servidores da segurança?
Quem sabe então o empresariado do RS abre mão de todos os incentivos fiscais.

